Quero Sal…

…em tudo, um pouco!

Tudo se reúne no prato 25 de outubro de 2010

Filed under: EUA,Músicas,Vida — ... @ 23:35

Humor do dia: Bom. Texto proibido para pessoas sem sentimento. Obs- leia o post ouvindi a música.

Chegamos às 5 horas da tarde para jantar. O lugar antigo parecia sujo, as mesas de madeira com cadeiras baixas e toalha de plástico coberta por um vidro parecia algum restaurante nas estradas do Brasil. Aquela meia luz  nas cores, azul, amarelo e vermelho não escondia a origem, nem mesmo os penduricalhos na parede. O bar era perto do banheiro e esse perto da cozinha. Dover (NJ) a cidade dos mexicanos e latinos, tem também um restaurante tipicamente colombiano.

Fui a convite da minha única amiga brasileira e suas duas amigas colombianas. As garçonetes usavam uma roupa branca bastante coloda ao corpo, cinto e sapatos pretos e um chapéu parecido com os de rodeio no Brasil. A maquiagem e os traços não negam a tarjeta de indentidad (Registro Geral – RG). Ao redor famílias latinas, amigos, pessoas sozinhas todos para relambrar os sabores da terra de origem, do país deixado para trás, para matar a saudade.

 A saudade para mim tornou-se o pior sentimento. É o único que não gostaria de experimentar todos os dias na minha vida. Não é a saudade de perder um namorado, é saudade de ter amigos, telefone tocando, família ao lado mesmo não conversando. Andar, correr, gritar, beber ou wherever.

Vim para os Estados Unidos para aprender inglês, mas há muitas pessoas aqui só para trabalhar e conseguir dinheiro. Trabalham horas limpando casas, cuidando de crianças ou em construções. As colombianas trabalham com limpeza e ganham muito bem. Os americanos não gostam delas, assim como não gostam de ninguém. Segundo minha amigada brasileira há muitos médicos e profissionais bacharelados trabalhando no serviço pessado nos States.

“Mesmo assim, os americanos tratam como se fossem qualquer coisa”, explica. “Falta respeito”. Por isto, muitos latinos reunem-se em comunidades e deixando de aprender o inglês, asism como as colombianas desta história.

Pratos típicos

Um garçon, para mim mexicano, perguntou “are you ready?”, em espanhol a colombiana pediu um tempo, pois ela tinha que explicar o cardápio para as brasileiras. Não fui muito ousada, até por que tudo envolvia carne. Bacon, costela, coração… Fui na parte da seafood (comida do mar). A música colombiana de fundo não me irritava, mas com o tempo na indecisão meu cérebro paralizou e não conseguia ler e ouvir tudo em espanhol.

Minha amiga pediu um peixe assado em uma sopa típica. “Irei pedir só esta sopa tem lula, mariscos e temperos”, explicou a colombiana de roupa preta e batom vermelho. “Dizem que é afrodisíaca”. Humildimente, pensando também no preço não ousei. Olhei para o mexicano e falei “Camarrão empanado, arroz, salada e batata frita (não aguento mais papas fritas)”. Então o garçom com aquele cavanhaque horrível deu um sorriso de ator mexicano.

Isto resultou na colombiana pedindo para o dono do restaurante passar o telefone do moço, desesperada falei “No, estou bien”. Minha amiga brasileira deveria ter visto isto, mas estava no banheiro.

Ganhos a entrada do dono do bar. Um molho de tomate, bacon e um bolo parecido com mandioca. O prato principal da mesa era a tal sopa. “Experimenta Bárbara”, falaram. Aquela cor amarela, com os pedaços da lula deixou-me enjuada. Fecheis os olhso e provei. Senti o gosto do creme de leite e leite de coco. “É bom, obrigada”, respondi por educação. Em minha mente viajante falei “posso falar que isto me faz ir ao banheiro e fará todo o mundo ir ao banheiro? Isto não pode ser afrodisíaco”.

Minha comida estava boa. O arroz fez-me lembrar da minha avó. Pensei em ligar para ela, mas não estou preparada para isto. Vou chorar tanto quando ligar para a velhinha. Neste momento lembrei do meu avô e no quanto eu poderia ter sido melhor para ele. Será que viajo muito nos pensamentos ?? 

O doce

Por algum motivo ganhamos a sobremesa, um creme com abacaxi e queijo branco. Gostoso como todos os doces. Pedimos a conta e a colombiana não deixou ninguém pagar. Fiquei até chateada, pois com certeza ela precisa de dinheiro. Tudo ficou em 105 dólares e quando o garçom pegou o cartão de crédito ela ficou brava porque não paquerei ele. Com cara de coitada falei “Não percebi que ele estava aqui”.

 Esta é uma foto da internet da sopa.

A conta do meu cérebro

Mano Chao agora estava comigo, em meus pensamentos. Lembrei de algumas pessoas da minha faculdade, principalmente do Otávio (fez trabalho de conclusão de curso comigo, nosso grupo), pois uma vez estava na casa dele ouvindo Mano Chao.

Aquelas pessoas, aquele lugar, a luz estranha, os rostos, as expressões tudo parou e só eu parecia ter movimento. Ouvi alguém falar de estar clandestino enquanto minhas amigas não paravam de falar. Pensei quantos não estariam clandestinos também. Tanto sofrimento nos Estados Unidos, será mesmo que vale a pena? A saudae vai embora algum dia???

Foi então que percebi como viajo, como penso, como eu quero entender a vida. Gostaria de ser uma pessoa sem sentimentos, sem pensar nos outros, na vida, nos acontecimentos e em nada. Gostaria de andar só pensando em mim, sem interpretar o mundo. Será o grande problema das pessoas nascidas pelo signo de peixes? Não sei se acredito em astrologia. Mas por que tenho que pensar em tudo e tentar achar respostas para tudo? Não bastaria só viver o fato e deixá-lo guardado? Não, para mim tudo viraria uma história, uma livro, uma foto e sentimentos de vida, morte, religão, sofrimento, alegria, dor e qualquer outro sentimento.

Voltei para casa pensando no Mano Chao e cantando Clandestino…

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