Quero Sal…

…em tudo, um pouco!

Pegando o trem para Long Island 25 de novembro de 2010

Filed under: EUA,Músicas,Vida — ... @ 23:35

Humor do dia: Triste, não sei o motivo. Este texto contém uma frase nojenta.

Para ler é necessário ouvir esta música junto

“Como será minha vida quando voltar para o Brasil”, pensei minutos antes de sair de Boonton Twp (NJ). “Morar em New Jersey e gastar dias em New York City, é ter o mundo ao redor, é conseguir colocar dois corpos no mesmo espaço e desafiar a química”, continuei divagando. Peguei carona até o ponto de ônibus e fui para Manhattan na última sexta-feira, dia 19 de novembro, para chegar na Long Island University, onde teria meu curso de History of  American Music (história da música americana).

Com uma mochila nas costas carregando roupas, pijama e minhas sandálias havaianas, andei rápido pelas ruas de Manhattan que fui até má educada com uma senhora. Com olhar de desgoto, certamente pensou “outra com ataque do coração”. Em dez minutos, ou nem isto, cheguei na Penn Station. Já havia passado por lá algumas vezes e até mesmo usado o trem, porém esta seria a primeira no trem sozinha.

Estava perdida nos corredores. Tentei comprar minha passagem em uma máquina automática, quando um brasileiro turista envergonhou-me. “Can you help me? I dont know how to buy my tickets”, retrucou. “In from Brazil we dont have this”. (Você pode me ajudar? Não sei comprar minhas passagens. Sou do Brasil e nós não temos estas coisas).

Continuei andando até o terminal Long Island Train Road. Milhares de pessoas esperando, olhando o painel de horários e carrendo quando as portas abrem-se para o corredor que leva até o próximo trem. Paguei 21,50 dólares para a viagem de ida e volta, pois sai mais barato. Diferente do Brasil em 30 dias pode-se usar a passagem de voltar quando quiser.

O trem não é rápido, nem bonito, nem tem música ou wherever. Mas funciona muito bem. A cada parada uma estação e a minha era em Hicksville.  Tenho dias felizes nos Estados Unidos. Um deles é andar por toda New York e não ter mais medo de me perder ou simplesmente andar correndo parecendo perder um trem.

Andando, saindo do lugar, independente para onde, faz-me sentir outra pessoa. Neste momento a música Pepeline by The Chantay’s se fortaleceu dentro de mim, dando-me força para meus dias sofridos e felizes. Long Island é mais frio que New York, pois é ilha. Não vi o mar, mas a cidade é feia, os prédios são iguais e pintados de marrom.

Naquele momento a paissagem era o que menos importava. O melhor era o encontro com a Universidade. Sempre gostei de estudar.

Meu Curso

Inveja é um dos sete pecados capitais e já tenho o da gula. Vou para o inferno, mas senti inveja da vida dos universitários americanos. Paguei pelo curso, refeições e dormitório. Nos Estados Unidos todos os estudantes moram faculdade.

Sexta-feira a noite. Peguei a chave do meu quarto. Esperei minha roommate (companheira de quarto). Infelizmente uma alemã. Não gosto de rotular, mas não gosto das mulheres alemãs. Por fim, ela escolheu a cama de baixo e claro todo dia de manhã eu bati a cabeça no armário há 10 cemtímetros acima de mim.

Os banheiros são comunitários por setor e é necessário dividir os dois únicos chuveiros e sanitários com mais 12 garotas. Porém, a primeira aula foi interessante, o jantar estava ruim e eu cansada. Fui dormir cedo e até sexta-feira a noite minha roommate era minha “amiga”. Não  tomei banho, considerei o banheiro sujo. “Ah, tomei em casa, fica para amanhã”, conclui.

A alemã apagou a luz, meu pensamento ficou no banho que não tomei. “Xixi é rapidinho, coco é lá em casa”, cantei no pensamento. Meus amigos da faculdade cantavam isto no JUCA (Jogos Universitário de Comunicação e Artes) no ano de 2009. O alojamento que ficamos em Santa Rita do Sapucaí (MG) era realmente sujo.

Nunca tive sono pessado, tudo sempre me acorda. Fechei os olhos novamente e parei de pensar no JUCA. Agora prestava atenção no quarto ao lado, as outras estudantes  não paravam de falar. Virei de lado na cama e o colchão fez muito barulho, fazia O°C e eu só com um cobertor leve. Encolhi-me ao máximo  e tentei não me mexer para não acordar  a alemã.

Duas horas da manhã e gritos bebados de moços bonitos me acordaram. Ouvi conversas. Houve uma festa no quarto de alguém…

Sábado

Aula, aula, aula e aula. O professor muito bom, mas algumas horas senti tédio. Aula das 9h até as 22 horas… É muito para mim. A melhor parte do dia era no refeitório, quando pratiquei os pecados capitais. Primeiro da gula. Havia de tudo, pizza, arroz, sopas, doces (alias, uma padaria inteira), sorvetes, saladas, todos os tipos de carne possível. Sem dúvida o segundo foi da inveja: os estudantes americanos.

Alemã da traição

Sábado a noite pensei em chamar minha roommate para andar no campus. Mandei uma mensagem para ela. “Já estou com as meninas no quarto”, respondeu. “Que diabos é isto hien”, pensei comigo. Fui para o quarto e ouvi “ohihihihiefionh”, ou seja nada. Todas falavam em alemão. Tentei puxar conversa em inglês, em vão.

Senti-me ofendida. Elas ficaram no lobby comunitário. Fechei a porta do quarto, apaguei a luz e tentei dormir. Liguei para minha amiga na California, para a mexicana em Glen Rock (NJ). Senti uma solidão, um vazio. Pensei “Qual é o meu problema, por que não consigo fazer amizade com ninguém?”.  Sempre achei ter algum problema, agora então…Sem contar que não tenho mais corte de cabelo, nem roupas para usar nos Estados Unidos, e as alemãs lá, quase sem roupa no frio com corte de cabelo e eu lá. Todos meus sentimentos se misturaram, parecia ter 14 anos de idade again (de novo).

No meio do vazio esta música (abaixo) colocou-me em “blue” (estado triste), pensei em tudo o que tenho de platônico nos Estados Unidos, seja amor, cabelo, felicidade etc..

A alemã voltou para dormir quase 2 da manhã, meus olhos ainda estavam abertos. Fiz de conta que dormia. Quando peguei no sono escutei outra festa acontecendo no Campus e e senti inveja novamente. Pensei em tudo que poderia ter aproveitado melhor em minha vida e não aproveitei. Um pouco mais agasalhada, dormi então e de raiva virei toda hora na cama para fazer barulho.

Domingo

Depois da aula, minha colega de sala prometeu  carona até a estação de trem. “Levo você também”, disse ela para a Alemã. Ela ficou feliz, pois assim não precisaria pagar 15 dólares de táxi. Minha aula acabou antes e fiz algo inacretitável para mim. Não esperei a roommate. “Ela não se importou de me deixar sozinha ontem a noite”, falei para a brasileira. “Sou muito boba, faço tudo para os outros”. A brasileira fez que sim com a cabeça. “Não pode ser boazinha aqui”, respondeu.

Voltei para New Jersey pensando em minha atitude. Pela primeira vez senti-me menos má de ter feito algo ruim. Porém no fundo meu pensamento dissia “Se no próximo curso alguém fizer isto comigo, ficarei feliz?”. E este foi a questão que tenho de Long Island.

                                                                                           No meu quarto, tentando estudar algo

(Desculpe, mas esta foto foi removida por motivo de segurança)

 

2 Responses to “Pegando o trem para Long Island”

  1. Mauren Ribeiro Says:

    Hahahahaha! Me divirto lendo seus textos!

    Bjão!!

  2. ana flavia Says:

    hahahaha tmb adorei este!! ai ai essas suas amigas hauaha


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