Quero Sal…

…em tudo, um pouco!

Ensinar inglês no Japão 17 de abril de 2017

Humor do dia: Feliz. Censura: Não há. 

Quando mudei para o Japão, meu trabalho inicial era em uma fábrica de alimento. Minha esperança era conseguir algum emprego na minha área (comunicação e marketing), mas para isso, precisaria melhorar o nível do idioma japonês.

Não aguentava mais o turno noturno, não conseguia estudar durante o dia e não tinha mais vontade fazer nada, apenas dormir. Havia morado nos Estados Unidos há alguns anos e considerava meu inglês bom. Pesquisei e surgiu e ideia de ensinar esta língua.

Não foi fácil conseguir meu atual emprego e ainda não é. Mandei inúmeros currículos, ninguém me ligava. A primeira entrevista era para uma escola particular. Teria que morar no emprego, dividir o banheiro com a dona da escola (que morava nos fundos) e aprender o idioma com ela.

Muito suspeito. O processo todo das entrevistas havia sido por telefone. A escola não tinha nenhum web site. Não parecia legítimo.

A segunda entrevista surgiu em uma grande rede de escolas. Senti-me uma palhaça. “Não contratamos não nativos, precisa ser americano, australiano e…”, disse a entrevistadora. Nem terminei de ouvir, só fiquei chateada, pois a proposta era excelente.

Eu fracassei

Na vida, fracassamos, e muito. No Brasil já estava acostumada a ouvir “nãos”. Sempre sofri muito com isso. Enquanto todos conseguiam empregos melhores e estavam felizes, eu só conseguia empregos com salários ruins e empresas não tão honestas.

Queria vencer dessa vez, assim rapidamente surgiu a terceira entrevista. Uma outra escola conhecida nacionalmente, um salário bom. O processe seletivo era longo, passei na primeira etapa, depois precisava fazer um teste de inglês. As perguntas eram incrivelmente fácies, porém, meu cérebro parou de funcionar e errei quase tudo. Não podia acreditar, a terceira parte era uma aula demo. Os demais candidatos faziam um verdadeiro teatro. Eu!? Mal conseguia falar.

Estava em desvantagem em todas as categorias. Inglês não é minha língua materna, não falo japonês, não tinha experiência em sala de aula, nenhuma certificação (CELTA, TESOL ou outras), e demais requisitos que já nem me lembro mais.

Não importava, tinha que fazer alguma coisa! Continuei tentando, com a certeza que causei vergonha alheia. Só não poderia dar motivo para o fracasso tomar conta de mim.

Mais uma entrevista

No Japão é necessário usar “business attire” por completo para entrevistas de emprego. Não tem essa de uma camisa social sem o terno. Em todas as entrevista sempre fui muito bem-vestida, não seria diferente na quarta.

Cheguei na escola infantil e fui colocada em uma sala para assistir um ensaio teatral. O ensaio não começava. Olhei no relógio, passaram-se 30 minutos, quando finalmente deram início. O teatrinho durou uma hora, com criançada chorando, gritando e fazendo xixi nas calças.

Ao fim de uma hora e meia depois, a coordenadora me chamou para a entrevista. Fui levada para outro prédio, em uma classe cheia de crianças na hora do lanche. A coordenadora, americana e antipática, riu do meu terno. “Nunca vi ninguém usar terno para entrevistas”, falou. Eu pensei “Os professores usam terno para trabalhar e para todas as demais entrevistas o terno era mandatório, que mulher mala”.

Senti-me um pouco humilhada pela maneira com que ela falou comigo. Para completar, ela colocou a cereja no bolo. “Você tem MBA e nunca foi professora. Você quer trabalhar pelo dinheiro ou pelas crianças, pois é um ou outro no seu caso”, indagou com um tom de sarcasmo.

Pense em várias respostas, mas apenas fui embora depois de ter perdido mais de duas horas.

Feiras de emprego

Em Tóquio, em tempos, aparecem algumas feiras de emprego. Decidi ir, estava animada e positiva. Havia visto o web site e diversas multinacionais estariam lá. “Não sei falar japonês”, pensei. “Mas são multinacionais, talvez só meu inglês seja suficiente”.

Eu sou muita burra ou tenho problema. Como eu poderia arrumar emprego no Japão sem falar o idioma local? Passei por várias entrevistas, mas a resposta era sempre a mesma. “Seu currículo é muito chamativo, mas você tem que falar japonês”, diziam os recrutadores.

Como eu poderia ter feito isso comigo mesma? Ainda na feira, fiz minha última entrevista em uma empresa de tradução. Perfeito! Inglês para o português era tudo o que precisavam! Essa animação acabou logo, até falaram que pagariam R$0.50 a hora. Voltei para casa, sem emprego e muito chateada comigo mesma.

No período de quatro meses, participei de aproximadamente 20 entrevistas. Havia visto americanos sendo contratados sem falar japonês, mas por serem americanos conseguiam empregos em TI ou ensinando inglês. Havia desistido, ou quase.

Sorte ou não, arrumei emprego

No Japão existem várias escolas de idioma (inglês especialmente) e empresas de “despache” (terceirização de professores-assistentes para escolas públicas). O governo determinou que todas as escolas públicas tenham os tais professores estrangeiros, para melhorar a qualidade de ensino, já que japonês falando inglês nem sempre soa tão bem.

Há várias empresas de “despache”. Todos os anos entram em concorrência com as devidas municipalidades (explicarei em um próximo post). Pois bem, consegui o emprego em uma delas! Deus deve ter visto minha persistência e resolveu colaborar. Só pode ter sido isso.

Era o último currículo que enviei antes de desistir. Não sabia direito como funcionava a tal escola, não sabia nada. Na realidade, a empresa já havia encerrado o período de contratação, porém, havia duas localidades que não conseguiam enviar professores (pois era muito longe, eu não sabia). Assim, eu consegui meu emprego, de segunda a sexta-feira, diurno e com várias folgas (na fábrica trabalhei turno noturno e com folgas na terça-feira).

Nunca esquecerei a última semana de abril de 2016. Quatro meses trabalhando em fábrica, mais de 20 entrevistas até conseguir um sim. O salário não é dos melhores, este ano não está sendo flores, tenho menos aulas e um salário consequentemente inferior. O mais importante que consegui vencer e tenho muito orgulho disso.

 

Japão em história

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Dica do dia: assistam este vídeo sobre a história do Japão. É inglês, não consegui em português.

 

 

Como é consulta ginecológica no Japão? 13 de abril de 2017

Humor do dia: Nhá. Censura: Homens.

Nunca conheci alguém que adora ir ao ginecologista. Quando mais nova, não ligava muito, mas os anos vão se passando e, agora, odeio essas visitas médicas. No Japão as consultas são um pouco melhores, mas também tem pontos negativos.

No Brasil, quando se vai ao ginecologista, o(a) mesmo(a), é obstetra (ao menos na maioria dos casos). Neste caso, tem gente fazendo pré-natal, exames de prevenção e outros procedimentos, tudo com o mesmo médico.

Para qualquer exame, como ultrassonografia ou laboratoriais, é necessário ir em outra clínica especializada, marcar outro horário, faltar do trabalho, pagar exames. Em resumo: consulta – exame – retorno, em diferentes dias e horários; certo?

É aquela perdição de tempo, atraso em detecção de problemas e inúmeras idas e vindas. Quem aguenta? Mas não tem jeito, é assim e ponto.

Como é no Japão?

As clínicas no Japão são chamadas de “ladies clinic”, ou “clínicas das mulheres”. Normalmente funcionam como “mini-hospitais”. Algumas clínicas são especializadas, como por exemplo, em fertilidade. Ressalto, há clínicas apenas para fertilidade e não são “ladies clinic”.

Por fim, as clínicas das mulheres tem pouca fila, mas é sempre cheia e os médicos são pontuais (até tem algum atraso, mas nada superior há duas horas como já aconteceu incontáveis vezes comigo).

A minha primeira vez em uma dessas clínicas, foi para fazer exame de sangue. Passei pelo médico, depois fui para enfermaria coletar sangue e após tudo paguei e marquei uma nova consulta para o resultado. Não precisei ir em outro local só para coletar o sangue, eureca! Ganhei tempo e dinheiro.

Das outras vezes, funcionou da mesma forma. Todos os exames feitos no mesmo local, com aparelhos modernos e feito pelo mesmo médico que me consultou. No Brasil, teria um médico para ouvir meu problema e mais um outro (em outro local) para fazer exames.

Nas terras verdes, o médico faz algum o papanicolau e algum procedimento pequeno, como cauterização. No Japão, o médico faz tudo, ultrassonografia, exames de fertilidade, sangue e tudo mais.

Só tenho a impressão que o pré-natal deve ser feito em um hospital mesmo.

Valores

Quando penso no valor total da consulta nipônica, fico confusa entre “caro e barato”. O Brasil tem o Sistemo Único de Saúde (SUS), que não funciona bem. Não tem médicos, alguns são mal educados, longas filas, meses de espera, erros e incontáveis problemas.

Quem tem convênio médico, quase tem a sorte grande. Ainda existem meses de espera para consultas, médicos não muito responsáveis e outros problemas. Quem pode pagar consulta particular, não escapa de empecilhos também.

No interior de São Paulo, uma consulta particular é em média R$ 200. Se, digamos, seja necessária uma ultrassonografia, vai-se mais R$ 50-100. Não se paga pelo retorno, mas precisa marcar dentro de 20 ou 30 dias. Várias vezes, minha médica não podia fazer meu retorno neste prazo e tive que pagar mais R$ 200 pelo retorno. Parece proposital, concorda?

No Japão não há SUS. Existem planos particulares ou dois planos do governo; sendo mandatório fazer parte de um. O mais barato, que é o meu caso, é o Kokumin Kenkoo Hoken (Seguro Nacional de Saúde).

Por mês, pago aproximadamente R$ 120, quando vou ao médico pago 30% do valor da consulta. Vamos imaginar, em média: consulta R$ 30, R$ 15 reais um exame de sangue, mais uma pequena porcentagem de taxa, digamos R$ 5 reais.

Claro, já fiz exame que o Seguro não cobria e ficou em R$ 400 reais, mas não era exame comum, que todas as mulheres precisam.

No Brasil, já vi médico cobrando R$ 300 por cinco minutos de consulta. Não vou dizer, em qual país é caro ou não. Ir ao médico é caro em qualquer lugar do mundo. Para mim Japão ou Brasil é quase a mesma coisa, a diferença são os aparelhos modernos e a comodidade no Japão.

Exames

Já fiz todos os tipos de exames ginecológicos no Japão e não muda nada, o fato que odeio exames. O que adoro são as cadeiras modernas. No Brasil, nosso corpo fica muito exposto ao médico, ou totalmente exposto, em uma cadeira nada confortável. Aqui, nas terrinhas nipônica, a cadeira é muito moderna e confortável. Não se vê o médico, pois tem uma cortina que separa as pernas do resto do corpo. Há um monitor para a paciente acompanhar o que está sendo feito. Muito rápido.

Eu fiz um exame chamado histerossalpingografia, muito dolorido sim, mas que no Brasil precisaria estar em jejum, tomar laxante e outros remédios para dor. Sem contar que seriam 15 minutos de sofrimento para o tal exame.

Aqui, não fiz jejum ou nem tomei laxante. Apenas fui lá e o exame durou 5 minutos. Suei frio, mas a enfermeira segurava minha mão ao mesmo tempo. As pessoas se importam com você.

Erros médicos

As pessoas dizem que o Japão é “líder” em erros médicos, há poucas aulas praticas na faculdade e assim vai. Não sei, não investiguei para saber. Eu concordo com a parte dos erros, pois recentemente passei por dois médicos diferentes (que atuam na mesma clínica) e creio que um não leu direito meu histórico e fez um procedimento errado. Nada muito grave, mas eu não entendo ao certo, então não posso julgar. Todo cuidado é pouco.

O problema no Japão, para nós brasileiros, é achar um médico que fale outro idioma. Se tu falas japonês, ótimo, do contrário alguns médicos sabem um pouco de inglês. Em algumas cidades há voluntários para traduzir consultas, mas normalmente não vão em clínicas, apenas em hospitais grandes.

Conclusão

Medicina é isso, há erros sim, os preços não são “em conta” e ninguém gosta. Por hora, estou muito feliz com meu médico aqui. Embora o idioma seja um obstáculo, tenho muita confiança em meu médico. Ele é muito profissional e nunca senti medo ou vergonha. No Brasil, já recebi cantada do ginecologista enquanto estava fazendo exames de prevenção.

Infelizmente, o Brasil precisa melhorar e muito no profissionalismo, seja em qualquer área. Precisa também, clínicas mais modernas e facilidades. Os valores, seja onde for, são caros. Cuidar da saúde nunca foi barato.

Obs: Em 2012 publiquei sobre como é consulta ginecológica nos Estados Unidos, clique aqui para conferir.

 

A beleza das cerejeiras no Japão

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Humor do dia: Sei-la. Censura: Pessoas insensíveis 

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Crédito: Wikipedia. (foto retirada da página)

As flores da cerejeira anunciam o começo da primavera. Para mim, calmaria e esperança. Este ano as flores atrasaram para despertar. Surgiram tímidas na segunda semana de abril. Meu coração estava ansioso por este momento cor-de-rosa pelas ruas.

Vim para o Japão em dezembro de 2015. Trabalhava à noite toda, não estava feliz. Minha vida pessoal não andava bem.

Nunca entendi o alarde com as cerejeiras. Já havia tido a oportunidade de vê-las em outros países. Sim, são lindas e duram em média 14 dias. São preciosas por sua “curta vida”.

Foi então que esta primavera surgiu. Recomeço, esperança e uma pitada de sonho florescem com as flores. Os parques em Tóquio ficam lotados e os sorrisos surgem para as selfies.

Em tudo pode-se ver cerejeiras. Um copo de água com uma flor jogada ao meio, um vidro de sal com pedacinhos rosas, que seriam as flores, um chá misturado com a cerejeira, não tem fim, em tudo as flores estão lá.

E sabe, vale a pena comprar algo com essas flores, para nos lembrarmo que depois de um longo inverno vem as flores da primavera. Clichê, eu sei bem, mas minha vida melhorou e estou tão otimista, não ligo por ser tão casual.

Meu inverno no Japão foi frustrante, cheio de mágoas e decepções. Ao final houve superação e crescimento. Arrumei emprego melhor e ajeitei minha vida particular. Para este ano, vejo um futuro melhor. As cerejeiras vieram para me lembrar.

 

Yakitori, você deve ir. 11 de abril de 2017

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Humor do dia: Poxa, está chovendo. Censura: vegetarianos. 

Ah, mas você é vegetariana, como pode indicar um restaurante desses? Simples, não sou tão chata assim, acredito no meu estilo de vida, mas nada impede uma visita ao Yakitori.

Yaki significa “frito” ou até mesmo “grelhado”. Tori significa “frango”. E assim, surgiu um bom “yakitori”. É uma espécie de bar, mas também frequentado por famílias com crianças. A ideia é um local para fumar e beber e petiscar. O prato principal, como o nome já diz, é o frango.

Na realidade é um espetinho de frango. Feito na hora, pode escolher o tempero que estiver no cardápio. São famosos, baratos, pequenos e acompanham bem a cervejinha.

Eu adoro ir ao Yakitori. Não como o frango não, lembra, sou vegetariana. Só que tem outros pratos. Eu gosto de espetinho de berinjela com queijo, pois o tempero é divino. Ainda não descobri do que é feito, mas simplesmente amo.

É possível comer tofu frito, ou sopa de tofu, omigiri, dentre outros. Para mim, a melhor parte é a atmosfera do local. Meu predileto na cidade de Sagamihara, tem um ar de “ninja”. Como o local é “decorado” faz toda a diferença. O único problema, é que as pessoas podem fumar dentro, o que não gosto.

Outro ponto negativo é a fumaça da comida. No centro do restaurante (que costuma ser bem pequeno), fica o cozinheiro grelhando a carne, o cheiro fica grudado na gente.

Existem vários tipos de yakitori, alguns maiores e alguns mais sofisticados. Recomendo visitar um bem “Japão antigo”.

Se gosta de cereja então, corre, já perdeu tempo.

 

Um Japão diferente em Shibuya e Shinjuku 5 de abril de 2017

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Humor do dia: Hoje o dia esquentou. Censura: Nenhuma 

Tóquio é indispensável, Tóquio é amor. É muita gente, multidão nos trens, filas em restaurantes. Lojas lotadas, cores e luzes. O Japão é mesmo uma mistura do antigo e do novo. Para ver a parte moderna basta ir até Shibuya e Shinjuku.

Estava perdida, sem saber ao certo por onde começar minhas aventuras nipônicas. Queria ver a estátua Hachiko, o cão fiel. Para isso, a parada é Shibuja. Logo ao sair da estação de trem, existe uma parede homenageando o akita. Logo ao lado, sua estátua, sempre lotada de turistas fazendo selfies.

Nos fins de semana, é ainda mais lotado, principalmente por “Shibuya Crossing”, umas das ruas mais lotadas do mundo. É um encontro de caminhos. Quando o sinal abre para os pedestres, todos andam com formiguinhas. Para completar, as pessoas usam roupa preta (na maioria). Meus olhos ficaram perdidos ao ver as luzes dos prédios, carros e os passeantes.

O melhor ponto para observar esta rua, é no Starbucks. Sempre lotado, fila para comprar algo, fila para ter uma mesa. Ah, sim, o Japão é muito pequeno e tem muita gente por aqui. Minha dica é comprar um café ou um suco, ir ao primeiro andar e ver o movimento. Sim, vale a pena sim.

Shibuya tem inúmeras lojas, restaurantes, escritórios. Fazer uma pesquisa sobre o que se procura é essencial antes de sair por lá.

O local merece visita diurna e noturna, pois as cores ficam diferentes e muda totalmente nas fotos. Além disso, há coisas que se vê apenas durante o dia ou à noite, como pessoas inusitadas.

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Shibuya Crossing. Foto retirada wikipédia.

Shinjuku

Alegria, cor, coisas diferentes. Não sei nem por onde começar a falar desse local. Tantas coisas para ver e fazer em Shinjuku. Meu passeio predileto é caminhar até Toho Cinemas. Não sei ao certo se é no cinema ou no hotel, que existe um Godzilla enorme.

Ao caminhar por aquela área, você encontra tudo que pode imaginar. O local tem restaurantes muito bons, porém um pouco mais caro, e eternas filas.

Tóquio é amor!

 

Casas no Japão 31 de março de 2017

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Humor do dia: Gripada. Censura: Nenhuma 

Eu estava feliz e triste. Feliz por ter minha própria casa, morando sozinha e pagando minhas contas. Triste, pela situação, pelo emprego, pelo pouco dinheiro e uma casa vazia.

Realidade de muitos, chegamos aqui e alugamos kitnet. São tão pequenas e frias. Na sala, que é um quarto, um futon (ou cama japonesa), um armário embutido, nada mais.

Saindo do banho nua, deparei com o vizinho olhando pela janela. Verdade, precisei comprar cortinas. A cozinha, só tem um fogão com uma boca e uma pia, nada mais, tão pequena que me desmotivou a cozinhar.

O banheiro pequeno e velho, e eu, só não queria estar ali. O frio danado, e o aquecedor quase não faz diferença. Se aquece o quarto, a cozinha e o banheiro continuam gelados. Que saudade me deu do meu quarto no Brasil.

Contas

Só morei em duas casas e espero continuar assim. A primeira (kitnet) o aluguel era de 26000 ienes. A conta de luz em torno de 4000 e água 3000. Não tinha internet no começo. Contas básicas, mas que pareciam tão maiores.

Exitem vários tipos de residências no Japão, a maioria sobrados. Apartamentos ou “casa executiva”, que muitos dizem serem alugadas para homens empregados em grandes empresas.

Até hoje, em meu um ano e quatro meses no Japão, digo, as casas são geladas no frio e muito quentes no verão. O material de acabamento não é dos melhores.

Acostumada com pia de pedra, ter uma pia de alumínio não parece tão higiênico. Mudanças, apenas isto. O Japão transforma nossa vida e só temos que nos adaptar.

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Minha primeira casa. A cozinha era apenas isso.