Quero Sal…

…em tudo, um pouco!

O dinheiro japonês é limpo 21 de junho de 2017

Filed under: Japão — ... @ 23:35
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Humor do dia: Cansada. Censura: Nenhuma.

Sempre tive nojo de pegar em dinheiro no Brasil. As notas são tão velhas, sujas, rascadas e algumas vezes, até rabiscadas. As moedas também e até mesmo um pouco meladas. No Japão, uma das primeiras coisas que notei, foram as notas sempre novinhas. O dinheiro é tão bem cuidado, seja o papel moeda ou a moeda em si.

Ainda não descobri como o país consegue manter suas notas tão bonitas. O japonês é cuidadoso e provavelmente gostam de preservar o bem mais importante para comprar sua comida, pagar as contas,  etc..

A arte de cuidar bem do dinheiro acontece em qualquer lugar. Todo  troco é contado em voz alta na frente do consumidor e entregue diretamente nas mãos cuidadosamente. Primeiro as notas, em seguida as moedas.

Na hora de pagar nunca deve-se entregar o dinheiro na mão do cobrador. O dinheiro deve ser colocado em um recipiente exclusivo para estes fins. O ideal é sempre pegar o troco com as duas mãos.

O dinheiro americano, pelo que me lembro, também é bem cuidado, mas não chega perto do japonês. A maneira como o troco é entregue, é igual ao Brasil. Já tive a oportunidade de ver o dinheiro filipino e chega a ser pior do que o brasileiro. As notas são tão velhas e sujas, que a primeira coisa depois de tocar é lavar as mãos.

O cuidado com as notas deve ter relação com o desenvolvimento do país. A culpa não é do governo, como as pessoas adoram culpar, mas sim de cada um de nós. Cada um deveria cuidado do dinheiro, que passará de mão em mão. Dinheiro é um bem, nem preciso explicar. Além disso, imprimir novas notas constantemente sai caro os cofres públicos.

Achei este vídeo de uma funcionária contando o troco.

 

 

 

 

Hello Kitty Park – parque para crianças no Japão 15 de junho de 2017

Filed under: Japão — ... @ 23:35

Humor do dia: Ocupada. Censura: Nenhuma 

Estive sem tempo no último mês para escrever no meu blog, meu computador havia quebrado, mas agora voltei. Em poucos dias quero escrever mais sobre minhas últimas atividades.

Hoje vou deixar um link aqui. É o Parque da Hello Kitty no Japão. Na verdade Sanrio Puroland. É um parque “interno” (completamente esqueci a palavra em português), com muitas atividades, especialmente para crianças entre 2 a 7 anos de idade.

Famílias de férias por Tóquio podem visitar o local. A estação de trem do local é Tama Center. As fotos com os personagens da Sanrio ficam lindas, é muita diversão até para adultos. Tudo é bem kawaii.

O único problema são as filas longas para cada atração. É possível comprar comidas em formato de animais. Existem diversas lembranças para se comprar. Os valores, como esperado, são altos, mas uma vez na vida vale o passeio.

 

 

 

Homem brasileiro é mortal 11 de maio de 2017

Filed under: Japão,Vida — ... @ 23:35
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Humor do dia: De boa. Censura: Pessoas chatas. 

Há sete anos escrevia resumidamente o meu ponto de vista sobre o homem americano, brasileiro e italiano. De lá para cá, muitas coisas mudaram. Eu tinha vinte e poucos anos, hoje já estou na caso dos trinta, vejo as coisas de maneira diferente, mas alguns características deles continuam lá.

Morando no Japão, consegui ver um lado do homem brasileiro, nunca observado antes. Talvez, seja um ponto negativo entre os brasileiros e as brasileiras, mas neste caso partiu de um homem.

Minha amiga chinesa  está no aplicativo TINDER. Já conheceu homens de vários países. Ela é uma graça, inteligente, tem uma carreira boa, se esforçou muito para chegar onde está.

Existem muitos brasileiros aqui trabalhando em fábricas. Muitos de classe social média, com faculdade, e outros, sem graduação de nível superior. Não importa, todos vieram com a esperança de ganhar bem, já que vida no Brasil não está fácil.

Os homens, normalmente, mostram todos os seus lados positivos para conquistar uma mulher. Os americanos, sentem-se imortais, só falam coisas boas e o fato de serem americanos já são vários pontos na hora da paquera. Até exageram, mas fazer o que.

Um dia, minha amiga chinesa conheceu esse brasileiro, que tentou justificar o emprego em fábrica. Mero mortal, não conseguiu valorizar a si mesmo. A conversa foi assim, “Eu sou brasileiro, minha mãe italiana e meu pai japonês, nascidos no Brasil. Eu não sou realmente brasileiro”.

Poxa, ele nasceu e cresceu no Brasil, mas tem vergonha de falar, tenta justificar pelo DNA. (Interessantemente, eu já fiz isso, dizendo que sou brasileira, ma meu pai é nascido e crescido no Japão).

Pelo nível da conversa, ele não se acha superior, mas sim tem vergonha de falar a própria nacionalidade. Cá entre nós, eu entendo, o Brasil está dando vergonha há tempos.

Continuando, depois ele falou “Eu já morei na Itália, sou comissário de voo, tenho nível superior técnico, só estou neste tipo de emprego até achar coisa melhor”. Bom, ele está tentando vender-se como além do trabalhador braçal, que já morou na Europa, mas não arrumou emprego melhor lá, quando falava a língua local.

Agora, está dizendo que irá arrumar emprego melhor no Japão, mas não fala japonês. Difícil viu, mas não estou criticando. Meu ponto é, o brasileiro tem vergonha dele mesmo.

Quando trabalhei em fábrica, também tive vergonha, mas é besteira. Nosso país não tem oportunidades, infelizmente nossos sonhos são jogados no lixo antes mesmo de nascermos. Esse rapaz mostrou na conversa, o desespero de querer ser algo mais em tudo, não podemos também chegar a este ponto.

A conversa continuou piorando, “Sai do Brasil para sempre, aquele país está acabando, está afundando, está morrendo, só tem corrupção. Só ladrão, não tem oportunidade, não tem nada”. Ele não mentiu, verdade e sabemos, mas lembra daquele imortal americano positivo na conversa?

Ele não omitiu os verdadeiros motivos de ter saído do Brasil, não estou contra ele, mas ele pode ser mais positivo. O brasileiro não precisa justificar seu país o tempo todo. Muitos japoneses graduados em universidades trabalham em fábricas, restaurantes, etc..Trabalho é trabalho.

Vergonhoso, é sim nosso medo de falar EU SOU BRASILEIRO e infelizmente eu me sinto assim. Vejo o significado por trás da fala dele. Quando falamos coisas assim, achamos que estamos nos valorizando, mas depois de ouvir dele, percebi que é pior e desvaloriza a pessoa.

Homem brasileiro é folgado, um pouco machista se comparado com outras nacionalidades, como disse no meu post mencionando no começo do artigo, aquele de sete anos atrás. Porém, eles tem sim qualidades, como amorosos, bom de cama (olha a fama), responsável, e assim vai.

 

 

Documentos para imigrantes no Japão 3 de maio de 2017

Filed under: Japão — ... @ 23:35
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Humor do Dia: Nenhum. Censura: Nenhuma. 

Quando vim para o Japão, contratei uma empresa para fazer ligação entre os “novos empregados” e as fábricas. Paguei um valor alto, em torno de R$ 2.000, para ter o emprego e toda documentação.

Basicamente, a empresa ajuda na emissão do passaporte (se necessário), no visto (ótimo, especialmente para visto de trabalho), um documento do registro da família no Japão (o tal do KOSEKI – realmente muito válido ter alguém contactando o Japão para conseguir este documento).

Ao chegar no aeroporto receberá um documento de identificação (Zairyu Card), que deverá ficar na carteira o tempo todo. Apresentar para abrir conta bancária, mostrar para o policial, resumindo, nada diferente do nosso RG.

Este mesmo documento deve ser entregue na prefeitura, onde se reside, ao retornar definitivamente ao Brasil. Assim, qualquer imposto, contas e etc, deverão ser quitados ao  sair do país e ter uma ficha limpa.

Atrás do Zairyu Card tem um espaço para preencher o endereço. Para isso, é necessário ir até a prefeitura da cidade, apresentar um documento com o endereço de moradia, telefone, nome etc..

Quando mudar de cidade, endereço ou andar do prédio, não interessa. É necessário ir novamente até a prefeitura e alterar o endereço no documento. O processo é chato, burocrático, tem fila longa, mas não pode deixar de fazer.

Eu não falo japonês, mas consegui alterar meu endereço sem nenhum tradutor. Com inglês, mesmo que mínimo, os japoneses conseguem ajudar.

Correios e plano de saúde

Fui ao Correios para abrir minha conta. Os correios e o banco são mantidos pela mesma “agência”, mas cada um funciona diferenciadamente. Não pensem que não faz sentido abrir conta nos Correios.

Para abrir a conta, é necessário ter o Zairyu Card. A agência lhe dará um cartão  e uma caderneta. Com os dois é possível realizar saques, transferências e etc..

Em um futuro post explicarei os impostos e planos de saúde, mas independente do plano que for membro, é importante carregar o cartão saúde o tempo todo.

Existe muita burocracia para obter documentos no Japão, seja para estrangeiro ou não. Aqui, para ter controle melhor sobre os tributos, as prefeituras exigem que os moradores não omitam informação, troquem seus endereços no Z.Card, e assim vai.

Burocrático, mas funciona.

 

 

 

Ensinar inglês no Japão 17 de abril de 2017

Humor do dia: Feliz. Censura: Não há. 

Quando mudei para o Japão, meu trabalho inicial era em uma fábrica de alimento. Minha esperança era conseguir algum emprego na minha área (comunicação e marketing), mas para isso, precisaria melhorar o nível do idioma japonês.

Não aguentava mais o turno noturno, não conseguia estudar durante o dia e não tinha mais vontade fazer nada, apenas dormir. Havia morado nos Estados Unidos há alguns anos e considerava meu inglês bom. Pesquisei e surgiu e ideia de ensinar esta língua.

Não foi fácil conseguir meu atual emprego e ainda não é. Mandei inúmeros currículos, ninguém me ligava. A primeira entrevista era para uma escola particular. Teria que morar no emprego, dividir o banheiro com a dona da escola (que morava nos fundos) e aprender o idioma com ela.

Muito suspeito. O processo todo das entrevistas havia sido por telefone. A escola não tinha nenhum web site. Não parecia legítimo.

A segunda entrevista surgiu em uma grande rede de escolas. Senti-me uma palhaça. “Não contratamos não nativos, precisa ser americano, australiano e…”, disse a entrevistadora. Nem terminei de ouvir, só fiquei chateada, pois a proposta era excelente.

Eu fracassei

Na vida, fracassamos, e muito. No Brasil já estava acostumada a ouvir “nãos”. Sempre sofri muito com isso. Enquanto todos conseguiam empregos melhores e estavam felizes, eu só conseguia empregos com salários ruins e empresas não tão honestas.

Queria vencer dessa vez, assim rapidamente surgiu a terceira entrevista. Uma outra escola conhecida nacionalmente, um salário bom. O processe seletivo era longo, passei na primeira etapa, depois precisava fazer um teste de inglês. As perguntas eram incrivelmente fácies, porém, meu cérebro parou de funcionar e errei quase tudo. Não podia acreditar, a terceira parte era uma aula demo. Os demais candidatos faziam um verdadeiro teatro. Eu!? Mal conseguia falar.

Estava em desvantagem em todas as categorias. Inglês não é minha língua materna, não falo japonês, não tinha experiência em sala de aula, nenhuma certificação (CELTA, TESOL ou outras), e demais requisitos que já nem me lembro mais.

Não importava, tinha que fazer alguma coisa! Continuei tentando, com a certeza que causei vergonha alheia. Só não poderia dar motivo para o fracasso tomar conta de mim.

Mais uma entrevista

No Japão é necessário usar “business attire” por completo para entrevistas de emprego. Não tem essa de uma camisa social sem o terno. Em todas as entrevista sempre fui muito bem-vestida, não seria diferente na quarta.

Cheguei na escola infantil e fui colocada em uma sala para assistir um ensaio teatral. O ensaio não começava. Olhei no relógio, passaram-se 30 minutos, quando finalmente deram início. O teatrinho durou uma hora, com criançada chorando, gritando e fazendo xixi nas calças.

Ao fim de uma hora e meia depois, a coordenadora me chamou para a entrevista. Fui levada para outro prédio, em uma classe cheia de crianças na hora do lanche. A coordenadora, americana e antipática, riu do meu terno. “Nunca vi ninguém usar terno para entrevistas”, falou. Eu pensei “Os professores usam terno para trabalhar e para todas as demais entrevistas o terno era mandatório, que mulher mala”.

Senti-me um pouco humilhada pela maneira com que ela falou comigo. Para completar, ela colocou a cereja no bolo. “Você tem MBA e nunca foi professora. Você quer trabalhar pelo dinheiro ou pelas crianças, pois é um ou outro no seu caso”, indagou com um tom de sarcasmo.

Pense em várias respostas, mas apenas fui embora depois de ter perdido mais de duas horas.

Feiras de emprego

Em Tóquio, em tempos, aparecem algumas feiras de emprego. Decidi ir, estava animada e positiva. Havia visto o web site e diversas multinacionais estariam lá. “Não sei falar japonês”, pensei. “Mas são multinacionais, talvez só meu inglês seja suficiente”.

Eu sou muita burra ou tenho problema. Como eu poderia arrumar emprego no Japão sem falar o idioma local? Passei por várias entrevistas, mas a resposta era sempre a mesma. “Seu currículo é muito chamativo, mas você tem que falar japonês”, diziam os recrutadores.

Como eu poderia ter feito isso comigo mesma? Ainda na feira, fiz minha última entrevista em uma empresa de tradução. Perfeito! Inglês para o português era tudo o que precisavam! Essa animação acabou logo, até falaram que pagariam R$0.50 a hora. Voltei para casa, sem emprego e muito chateada comigo mesma.

No período de quatro meses, participei de aproximadamente 20 entrevistas. Havia visto americanos sendo contratados sem falar japonês, mas por serem americanos conseguiam empregos em TI ou ensinando inglês. Havia desistido, ou quase.

Sorte ou não, arrumei emprego

No Japão existem várias escolas de idioma (inglês especialmente) e empresas de “despache” (terceirização de professores-assistentes para escolas públicas). O governo determinou que todas as escolas públicas tenham os tais professores estrangeiros, para melhorar a qualidade de ensino, já que japonês falando inglês nem sempre soa tão bem.

Há várias empresas de “despache”. Todos os anos entram em concorrência com as devidas municipalidades (explicarei em um próximo post). Pois bem, consegui o emprego em uma delas! Deus deve ter visto minha persistência e resolveu colaborar. Só pode ter sido isso.

Era o último currículo que enviei antes de desistir. Não sabia direito como funcionava a tal escola, não sabia nada. Na realidade, a empresa já havia encerrado o período de contratação, porém, havia duas localidades que não conseguiam enviar professores (pois era muito longe, eu não sabia). Assim, eu consegui meu emprego, de segunda a sexta-feira, diurno e com várias folgas (na fábrica trabalhei turno noturno e com folgas na terça-feira).

Nunca esquecerei a última semana de abril de 2016. Quatro meses trabalhando em fábrica, mais de 20 entrevistas até conseguir um sim. O salário não é dos melhores, este ano não está sendo flores, tenho menos aulas e um salário consequentemente inferior. O mais importante que consegui vencer e tenho muito orgulho disso.

 

Japão em história

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Dica do dia: assistam este vídeo sobre a história do Japão. É inglês, não consegui em português.

 

 

Como é consulta ginecológica no Japão? 13 de abril de 2017

Humor do dia: Nhá. Censura: Homens.

Nunca conheci alguém que adora ir ao ginecologista. Quando mais nova, não ligava muito, mas os anos vão se passando e, agora, odeio essas visitas médicas. No Japão as consultas são um pouco melhores, mas também tem pontos negativos.

No Brasil, quando se vai ao ginecologista, o(a) mesmo(a), é obstetra (ao menos na maioria dos casos). Neste caso, tem gente fazendo pré-natal, exames de prevenção e outros procedimentos, tudo com o mesmo médico.

Para qualquer exame, como ultrassonografia ou laboratoriais, é necessário ir em outra clínica especializada, marcar outro horário, faltar do trabalho, pagar exames. Em resumo: consulta – exame – retorno, em diferentes dias e horários; certo?

É aquela perdição de tempo, atraso em detecção de problemas e inúmeras idas e vindas. Quem aguenta? Mas não tem jeito, é assim e ponto.

Como é no Japão?

As clínicas no Japão são chamadas de “ladies clinic”, ou “clínicas das mulheres”. Normalmente funcionam como “mini-hospitais”. Algumas clínicas são especializadas, como por exemplo, em fertilidade. Ressalto, há clínicas apenas para fertilidade e não são “ladies clinic”.

Por fim, as clínicas das mulheres tem pouca fila, mas é sempre cheia e os médicos são pontuais (até tem algum atraso, mas nada superior há duas horas como já aconteceu incontáveis vezes comigo).

A minha primeira vez em uma dessas clínicas, foi para fazer exame de sangue. Passei pelo médico, depois fui para enfermaria coletar sangue e após tudo paguei e marquei uma nova consulta para o resultado. Não precisei ir em outro local só para coletar o sangue, eureca! Ganhei tempo e dinheiro.

Das outras vezes, funcionou da mesma forma. Todos os exames feitos no mesmo local, com aparelhos modernos e feito pelo mesmo médico que me consultou. No Brasil, teria um médico para ouvir meu problema e mais um outro (em outro local) para fazer exames.

Nas terras verdes, o médico faz algum o papanicolau e algum procedimento pequeno, como cauterização. No Japão, o médico faz tudo, ultrassonografia, exames de fertilidade, sangue e tudo mais.

Só tenho a impressão que o pré-natal deve ser feito em um hospital mesmo.

Valores

Quando penso no valor total da consulta nipônica, fico confusa entre “caro e barato”. O Brasil tem o Sistemo Único de Saúde (SUS), que não funciona bem. Não tem médicos, alguns são mal educados, longas filas, meses de espera, erros e incontáveis problemas.

Quem tem convênio médico, quase tem a sorte grande. Ainda existem meses de espera para consultas, médicos não muito responsáveis e outros problemas. Quem pode pagar consulta particular, não escapa de empecilhos também.

No interior de São Paulo, uma consulta particular é em média R$ 200. Se, digamos, seja necessária uma ultrassonografia, vai-se mais R$ 50-100. Não se paga pelo retorno, mas precisa marcar dentro de 20 ou 30 dias. Várias vezes, minha médica não podia fazer meu retorno neste prazo e tive que pagar mais R$ 200 pelo retorno. Parece proposital, concorda?

No Japão não há SUS. Existem planos particulares ou dois planos do governo; sendo mandatório fazer parte de um. O mais barato, que é o meu caso, é o Kokumin Kenkoo Hoken (Seguro Nacional de Saúde).

Por mês, pago aproximadamente R$ 120, quando vou ao médico pago 30% do valor da consulta. Vamos imaginar, em média: consulta R$ 30, R$ 15 reais um exame de sangue, mais uma pequena porcentagem de taxa, digamos R$ 5 reais.

Claro, já fiz exame que o Seguro não cobria e ficou em R$ 400 reais, mas não era exame comum, que todas as mulheres precisam.

No Brasil, já vi médico cobrando R$ 300 por cinco minutos de consulta. Não vou dizer, em qual país é caro ou não. Ir ao médico é caro em qualquer lugar do mundo. Para mim Japão ou Brasil é quase a mesma coisa, a diferença são os aparelhos modernos e a comodidade no Japão.

Exames

Já fiz todos os tipos de exames ginecológicos no Japão e não muda nada, o fato que odeio exames. O que adoro são as cadeiras modernas. No Brasil, nosso corpo fica muito exposto ao médico, ou totalmente exposto, em uma cadeira nada confortável. Aqui, nas terrinhas nipônica, a cadeira é muito moderna e confortável. Não se vê o médico, pois tem uma cortina que separa as pernas do resto do corpo. Há um monitor para a paciente acompanhar o que está sendo feito. Muito rápido.

Eu fiz um exame chamado histerossalpingografia, muito dolorido sim, mas que no Brasil precisaria estar em jejum, tomar laxante e outros remédios para dor. Sem contar que seriam 15 minutos de sofrimento para o tal exame.

Aqui, não fiz jejum ou nem tomei laxante. Apenas fui lá e o exame durou 5 minutos. Suei frio, mas a enfermeira segurava minha mão ao mesmo tempo. As pessoas se importam com você.

Erros médicos

As pessoas dizem que o Japão é “líder” em erros médicos, há poucas aulas praticas na faculdade e assim vai. Não sei, não investiguei para saber. Eu concordo com a parte dos erros, pois recentemente passei por dois médicos diferentes (que atuam na mesma clínica) e creio que um não leu direito meu histórico e fez um procedimento errado. Nada muito grave, mas eu não entendo ao certo, então não posso julgar. Todo cuidado é pouco.

O problema no Japão, para nós brasileiros, é achar um médico que fale outro idioma. Se tu falas japonês, ótimo, do contrário alguns médicos sabem um pouco de inglês. Em algumas cidades há voluntários para traduzir consultas, mas normalmente não vão em clínicas, apenas em hospitais grandes.

Conclusão

Medicina é isso, há erros sim, os preços não são “em conta” e ninguém gosta. Por hora, estou muito feliz com meu médico aqui. Embora o idioma seja um obstáculo, tenho muita confiança em meu médico. Ele é muito profissional e nunca senti medo ou vergonha. No Brasil, já recebi cantada do ginecologista enquanto estava fazendo exames de prevenção.

Infelizmente, o Brasil precisa melhorar e muito no profissionalismo, seja em qualquer área. Precisa também, clínicas mais modernas e facilidades. Os valores, seja onde for, são caros. Cuidar da saúde nunca foi barato.

Obs: Em 2012 publiquei sobre como é consulta ginecológica nos Estados Unidos, clique aqui para conferir.