Quero Sal…

…em tudo, um pouco!

Robot restaurante em Tóquio vale a pena 23 de março de 2017

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Humor do dia: Nenhum. Censura: Nenhuma

Tóquio tem vários restaurantes temáticos e os turistas ficam curiosos se vale a pena conhecer. São restaurantes mais caros e únicos. A melhor resposta é: depende.

Eu recomendo se tiver um dinheiro extra, do contrário, não é algo que você irá se arrepender. Todos os anos, no meu aniversário, resolvi conhecer um desses locais. Ano passado, fui ao Robot Restaurant em Shinjuku (Tóquio).

Para entrar paga-se 8,000 ien e a refeição (se quiser) é mais 1,000 ien. O show é divertido. É possível ver artistas dançando, “lutando”, apresentação de taiko e no final a briga entre robôs (que na verdade são apenas carros alegóricos e não robôs de verdade).

Ao menos, quando eu fui, a comida era sushi. Um prato pequeno com cerca de 7 sushis, mas não gostei da qualidade. Como não há obrigatoriedade de comer no restaurante, pode ir apenas pelo show.

Posso estar errada, mas a duração do show é de uma hora. É possível tirar fotos ou filmar, mas a qualidade não é das melhores, por ser um ambiente bastante escuro. É possível comprar pipoca e outros salgadinhos e bebidas em cada intervalo entre as apresentações.

Quando se comemora aniversário ou qualquer outra ocasião, acaba valendo a experiência. Caso o orçamento esteja apertado, vale mais ir conhecer outro ponto turístico. Ah sim, o ambiente é realmente bonito. Até mesmo a sala de espera é maravilhoso.

Para quem quiser saber mais: http://www.shinjuku-robot.com/pc/

Achei este vídeo no YouTube:

 

 

Entrevista de emprego no Japão 22 de março de 2017

Entrevista de emprego no Japão não é muito diferente do Brasil. Vou contar dois tipos que já participei: para serviço braçal e para empresas (requisito nível superior).

Como já contei, quando mudei para cá, tive que colocar minhas expectativas abaixo e enfrentar um trabalho em fábrica, para depois conseguir emprego melhor. Fique claro, que todos os empregos são dignos.

Para trabalhos em fábricas, a entrevista acontece de maneira simples e rápida. Roupas sem exageros, como uma calça jeans, tênis e camiseta. No caso das mulheres, cabelos amarrados, unhas feitas curtas e sem esmalte.

Quem fala japonês pode responder em japonês, quem não, precisa de um intérprete. Por este motivo, muitos brasileiros ficam reféns de empreiteiras para conseguir emprego.

É necessário prestar informações sobre exames de saúde, dependentes e disponibilidade de horários. Além de concordar com as regras da fábrica. Por exemplo, no caso de fábrica de alimento, é necessário fazer exames mensais, para comprovar não estar infectado com nenhuma bactéria.

Entrevista para nível superior

Estas entrevistas não são diferentes do Brasil. Os recém-formados tem um período “famoso” de procura de emprego no Japão, se não me engano, são os três primeiros meses do ano. (Lógico, é uma época conhecida pela oferta e procura, mas não o único momento que se pode procurar por oportunidades).

É comum vê-los preparados e “uniformizados”. Existe até um termo usado, em português seria algo como “terno de entrevista”.

Os homens vestidos com terno preto, rigorosamente limpos e sem amasso,  gravata de tonalidade escura e pasta nas mãos. As mulheres também usam ternos pretos, a maioria prefere uma saia longa (horrível diga-se se passagem). Cabelo preso é a opção para não errar. A aparência é muito importante e o entrevistado irá notar até os sapatos.

Outra coisa, no Brasil, dificilmente é possível ver alguém usando meias calças finas cor de pele com saia. Esse visual é considerado cafona. No Japão, porém, é quase regra. Não importa a estação do ano, não pendure o terno! Continue usando em todas as etapas da entrevista.

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Essa saia feia é a roupa mais popular entre as mulheres

As perguntas e dinâmica 

Existem várias perguntas, todas semelhantes as do Brasil. Existem testes, pode ser de matemática, inglês, japonês, lógica, ou outros, depende para qual posição está concorrendo.

Honestidade em primeiro lugar. Se mentir em uma empresa e falar outra coisa em outra, as chances de você ser pego são grandes. Isso acontece, pois muitas das entrevistas são feitas por agências especializadas, normalmente contratadas pelos candidatos na ajuda de encontrar uma posição.

Exames médicos são essenciais. Já conheci várias pessoas, que ao precisar de recolocação, teve toda a mudança paga pela empresa.

O Japão tem muitas vagas de trabalho, mas é crucial falar o idioma. Boa sorte para quem está tentando.

 

Meias de compressão no Japão 21 de março de 2017

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Humor do dia: Nenhum, pois está chovendo. Censura: Não há. 

Hoje estou passando aqui só para uma dica. Sabe aquela coisa de gente velha e mania de usar meia de compressão? Pois bem, uma vez ou outra eu uso, até quando viajo e está frio e preciso passar muito tempo em pé.

Muitas pessoas me perguntaram onde podem achar essas meias no Japão. Simples, em qualquer farmácia, loja mais popular de roupas e até mesmo em loja de conveniência.

 

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Ir ao Japão com a Qatar 19 de março de 2017

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Humor do dia: Cansada. Censura: Nenhuma 

Já viajei com várias companhias, mas a Qatar é a melhor. Não acho aviões confortáveis, talvez a primeira classe seja, mas como a maioria das pessoas, voo apenas na econômica.

Quando estava prestes a sair do Brasil para o Japão, estava sofrendo  pelo meu voo. Fazer conexão pelo Oriente Médio, faz com que ao todo, fique-se em avião e aeroportos por dois dias.

O voo em si, demora mais de 24 horas. Eu já estava imaginando o drama. Como já publiquei anteriormente, para mim a pior empresa é a United Airlines. Cabines apertadas, não muito limpas, comida que faz o passageiro passar mal (ao menos eu), e aeromoças não muito simpáticas.

A Qatar tem cabines mais espaçosas, mesmo para a classe econômica. Existe várias opções de cardápio com menu vegetariano, vegano, oriental e outros. Equipe muito bem treinada, avião limpo. Não sofri como em outros voos. Valeu a pena, minhas pernas não sofreram!

Tem quem prefira fazer conexão pelos Estados  Unidos (mas precisa de visto), ou pela Europa. Sei que pela América do Norte é mais rápido, até mais barato se achar alguma promoção, mas o preço que se paga pelas cias americanas. Hã! Fico com a Qatar. Além do mais, é uma boa oportunidade de ver um pouco do Oriente Médio, fazer uma conexão em Dubai, ou seja lá onde for.

 

 

 

 

Como é o transporte público no Japão? 15 de março de 2017

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Toda vez que fala-se em trem, terminal ou ônibus, penso naquela música “(…)todos os dias é um vai e vem, a vida se repete na estação(…)”, da cantora Maria Rita. Pois bem, no Japão essa música seria “todos os dias é um sufoco na estação”. Nunca estive em estações mais lotadas, como em Tóquio e aos redores. A qualidade, porém, é fabulosa.

Transporte público define a educação de um povo e a sua cultura. Simplesmente isso. Minha primeira vez no trem, estava conversando normalmente, quando a pessoa que me acompanhava disse “você já notou o silêncio?”. Foi então que percebi que ninguém conversa, come, bebe ou fala ao celular.

Pode-se ver gente com fone de ouvido, dormindo (e como), mas é possível ouvir uma mosquinha, mesmo quando o trem está lotado.

Os japonês são adeptos a cultura do “o que é melhor para todo mundo, é melhor para mim”. Se o barulho, a conversa, o cheiro da comida atrapalham a vida do outro passageiro, ninguém o faz. Claro, não quer dizer que uma vez ou outra não se escute pessoas conversando educadamente, em tom baixo, sem perturbar.

O trem no Japão

Assim como em todo o mundo, existem bancos reservados para deficientes, idosos, grávidas, portadores de necessidade especiais e mulheres com crianças no colo. No Japão, não é muito válido essa regra, mas no Brasil também não, e nos Estados Unidos também não. Talvez seja um problema da raça humana.

Aqui, ao menos na minha experiência, é comum ver a mulher ceder seu banco ao homem. A cultura é a explicação, já que eles são vistos como o mais importante dentro da família.

Os trens, raramente atrasam, se atrasam se desculpam, e dependendo não cobram (como já aconteceu comigo). Os trens são muitos limpos, outro ponto cultural. As pessoas têm muito orgulho da malha ferroviária, tanto é que até tiram fotos de trens novos (digo, junta-se várias pessoas para tirar foto de um trem). Os japoneses não gostam de sujar o que não é deles, até podem ser “porquinhos” em casa, mas quando fala-se em coletividade, vencem largamente em primeiro lugar.

Dizem as fotos nas redes sociais, que existem funcionários empurrando gente dentro do trem para caber o máximo possível. Até acredito, mas nunca vi. Já vi gente do lado de fora falando ao microfone, para as pessoas se apertarem para entrarem mais passageiros.

Digo uma coisa, os trens são realmente abarrotados, mas ninguém reclama, ninguém grita ou xinga. Aliás, até quando os trens estão atrasados, ninguém sai fazendo barraco, como os brasileiros.

Para mim, o que mais chama atenção é a fila que se faz para entrar no trem. Mesmo naquele oceano de passageiros, fazem fila indiana, espera-se as pessoas saírem para depois entrarem. Não tem nenhum “engraçadinho” furando fila.

Os ônibus

Os passageiros dos ônibus não são diferentes, todos educados e em silêncio. Não existe cobrador, existe uma máquina para passar seu cartão ou pegar um número e pagar ao descer. Se não tiver este cartão (como se fosse cartão de débito do banco), tem que pagar, mas tem que colocar o dinheiro certinho dentro da maquinha. Por exemplo, se for R$ 2,91, não adianta colocar R$5, pois não vai gerar troco, conte suas moedas e todos saem felizes.

Há um ano no Japão, usando ônibus todos os dias para ir trabalhar, vejo como são limpos. Toda vez que o meu ônibus chega no terminal, vem gente limpar por dentro. É tanta preocupação com o bem estar dos passageiros, que não tem igual.

O mais legal do ônibus é a televisão interna, que mostra o nome de cada parada. Você pode não fazer ideia do caminho, mas a TV mostrará toda a trajetória com os nomes dos pontos.

Não posso deixar de mencionar a qualidade do serviço. Já vi tantos ônibus quebrarem nas ruas brasileiras, mas nunca vi por aqui. Diga-se, os ônibus não são “chaminés” ambulantes, entendeu a referência né?

Considerações.

O brasileiro tem essa mania de reclamar do transporte público, com razão, pois a qualidade e a quantidade são horríveis. Porém, já repararam como é sujo por dentro, como as pessoas não tem cuidado?

Culturalmente, os brasileiros não gostam de cuidar do que é público, acham que têm o direito de sujar ou destruir. Tenho uma dúvida,  um ônibus com ar condicionado e aquecedor, ficaria intacto por mais de um mês?

Claro, deveríamos ter melhores transportes e melhores preços, mas pense um pouco quantas vezes você já viu as pessoas deixando lixo dentro dos transportes.

Espero que podemos chegar de perto, pelo menos, ao nível de respeito dos japoneses.

 

Quem trabalha em fábrica no Japão? 9 de março de 2017

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Antes de sair do Brasil, eu acreditava que apenas brasileiros trabalhavam nas fábricas no Japão. Porém, há muitos chilenos, argentinos, peruanos, filipinos, japoneses, chineses, entre outros países pobres da Ásia, como Laos.

Para muitas dessas pessoas, este emprego é “ganhar na loteria”, se comparar a pobreza de seus países. O salário não é muito, mas conseguem enviar para as famílias. O mais triste é que muitas mulheres mudam-se sozinhas para enviar dinheiro ao marido e filhos.

Conheci uma brasileira que poderia ter uma vida razoável no Brasil, mas porque estava com problemas familiares, resolveu vir para cá. Diga-se, eu nunca a compreendi por escolher a solidão ao invés de resolver seus problemas.

Com as filipinas era mais fácil conversar, pois falam inglês, gostava de apenas duas ou três. Uma delas sempre olhava pelas outras pessoas, mas, em geral, as demais eram um pouco egoístas e não gostavam de ajudar a limpar ao final da jornada de trabalho.

Tinha essa senhora vinda da Combodia, não podíamos conversar devido a barreira do idioma, mas ela gostava de mim, nós falávamos pelo olhar. Ela já tem seus sessenta e poucos anos, e ainda trabalha em fábrica, na madrugada…não é fácil.

Tinha essa mulher japonesa que não gostava de mim. Bom, para começar eu nunca entendi porque japoneses trabalham em fábrica. Sempre acreditei que todos neste país tivesse a oportunidade de estudar.

A realidade é que muitos não tem condições de pagar faculdade ou cursos técnicos e acabam trabalhando em fábrica, pois o salário é até convidativo. Mas, a verdadeira razão deve ser porque em todo o mundo existe os ricos e os pobres.

Havia essa senhora, que no último dia me levou para comer. Eram todas boas pessoas ao final, eu só estava perdida em um mundo novo, idioma novo, cultura nova.

 

Japão, o país das oportunidades? 8 de março de 2017

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Muitas pessoas discordarão, mas entendo, cada um possuí experiências diferentes e têm objetivos únicos. Para mim, o Japão pode não ser exatamente o país das oportunidades para quem vai trabalhar em fábrica.

Na minha infância tive alguns amigos cujo pai estava trabalhando no Japão. Há mais de 20 anos, esta saga foi realmente benéfica para os brasileiros. Não lembro de nenhuma família que enriqueceu, mas muitos conseguiram pagar escolas aos filhos, comprar um carro e até mesmo uma casa. Outros não voltaram nunca mais, e um, infartou enquanto trabalhava.

Um caminho feito por muitos brasileiros de todas as classes sociais, idades e nível educacional. Mas, e eu? Tive mais de um, mais de dois ou mais de três motivos para arriscar. Minha história começou em fábrica e terminou num escritório. Os caminhos nunca foram floridos.

Passos

Primeiramente, fique claro que ninguém sem japonês fluente consegue boas oportunidades no Japão. Não importa se é fábrica, escritório, multinacional, supermercado etc.. Parece óbvio, mas não é.

Visto de trabalho!? Tem que sair do Brasil já com emprego ou pré-contrato, do contrário esquece. Ah sim, tem que ter descendência japonesa.

Eu fui para trabalhar em uma fábrica de salada, que durou, felizmente, 5 meses. Eu sou jornalista, tenho pós-graduação, e esta seria minha terceira vez fora do Brasil. Nunca fui rica, nunca fui pobre, nunca fui classe média. Sempre tive as coisas com muito esforço, mas no Japão, haja esforço.

Antes de sair do Brasil paga-se para conseguir emprego e passagens. Diga-se que a brincadeira para arrumar a tal da empreiteira custa em média R$2.500 ou R$ 3.000.

Trabalho

Voltando ao foco! Japão, país das oportunidades? Hoje em dia, não tanto. Antes de conseguir meu emprego atual, trabalhei em fábrica. Foram cinco meses cansativos. Trabalhava três dias, descansava um. Natal e Ano Novo foram trabalhando. Para piorar, meu turno era noturno. Havia virado um zumbi.

Era puxado. Fábrica de salada é fria, pois é uma geladeira gigante. Há fábricas que são insuportavelmente quente. Fábrica de salada, por experiência, tem cheiro horrível.

Muitas vezes, pensei ser “mole” para o trabalho, muitas vezes me sentia culpada. Mas não, são sete ou oito, ou ainda nove horas trabalhando em pé! Um intervalo de 40 minutos. Ir ao banheiro? Em último caso.

Minha saída da fábrica marcou minha vida! Sai com a certeza de ser uma pessoa mais madura, mais determinada e focada.

Brasil

Sei que enviar dinheiro ao Brasil sempre compensa. Um pouco que se envia se transforma em várias notas da “onça”. Mas olha, tem que ter disposição física.

Quando fui repórter no Brasil, cobri várias pautas do Sindicado dos Metalúrgicos e outras. Se eu for honesta, e se minha memória e julgamento não me traírem, creio que o salário era razoável, mas poderia ser muito melhor. Os benefícios e bônus são muitos bons. Dê os créditos há quem quiser, essa conquista realmente mudou a história do nosso país para as categorias.

O problema geral de todas as classes trabalhadoras é o salário. O Brasil não tem um salário justo comparado a outros países. O salário mínimo é ridículo. Por fim, o Japão tem salário melhores, mas não há uma classe que represente os trabalhadores em fábricas. Se há, deve ser muito pequena e isolada.

Sim, comprar um iPhone no Japão é muito mais fácil do que no Brasil. Porém, conseguir tratamento de câncer no Brasil é mais fácil do que no Japão. A qualidade dos hospitais no Japão são melhores, mas venda sua vida para pagar as contas. Claro, nosso Sistema Único de Saúde (SUS) precisa melhorar e muito.

Por fim, eu não sou da política, não sou de falar de política, mas sei os problemas e facilidades do nosso país.

Quem já saiu do Brasil e foi para qualquer outro país, sabe que não é fácil. Japão não é fácil também. Trabalhar em fábrica, por conta do dólar alto, pode ser temporariamente bom, a longo prazo tenho minhas dúvidas. Muitos se arriscam e gostam, outros nem tanto. Como disse, depende muito dos seus objetivos.

Agora, quem tem uma boa faculdade, um nível elevado do idioma, pode conseguir empregos bons, que são realmente valiosos, mas este tema fica para uma outra conversa.